O governo federal deve anunciar, até a próxima semana, uma nova etapa do programa Desenrola, voltada para pessoas que possuem dívidas de alto custo, mas continuam pagando suas contas em dia. A iniciativa deve ter como foco principal trabalhadores informais, público que costuma enfrentar mais dificuldade para acessar linhas de crédito com juros menores.
A nova fase poderá ser chamada de Desenrola Adimplentes e permitirá que consumidores que ainda estão honrando seus compromissos financeiros consigam trocar dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, por opções com juros mais baixos.
Para viabilizar a medida, o governo estuda utilizar recursos remanescentes do Fundo Garantidor de Operações (FGO), já empregado em etapas anteriores do Desenrola. Com a garantia do fundo, os bancos poderiam oferecer condições mais favoráveis aos consumidores, incluindo taxas reduzidas e um limite máximo de juros a ser definido pelas instituições financeiras dentro das regras do programa.
A intenção é aliviar o orçamento de pessoas que estão endividadas, mas ainda não se tornaram inadimplentes. O governo avalia que muitos consumidores contrataram crédito em condições desfavoráveis, com juros elevados, e seguem pagando as parcelas com dificuldade. A nova etapa buscaria evitar que essas pessoas deixem de cumprir seus compromissos e acabem negativadas.
Assim como ocorre nas fases já existentes do Desenrola, a renegociação deverá ser feita diretamente com os bancos, por meio dos canais oficiais das instituições financeiras. O governo pretende acompanhar a execução do programa e realizar aportes conforme a necessidade, buscando reduzir o custo da operação.
Trabalhadores informais devem ser prioridade
O público informal será uma das prioridades da nova fase. Esse grupo inclui pessoas que exercem atividade econômica e possuem renda, mas não têm vínculo formal de trabalho. Por isso, muitas vezes ficam fora de modalidades de crédito mais baratas, como o consignado, disponível para aposentados, servidores públicos e trabalhadores com carteira assinada.
Com o apoio do fundo garantidor, a expectativa é que esses trabalhadores tenham melhores condições de acesso ao sistema bancário e possam construir um histórico financeiro mais sólido. A Fazenda também avalia a criação de uma linha de crédito específica para esse público.
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